1 de setembro de 2020

Empreender após os 50 é uma oportunidade de recomeçar. Veja como tirar seu negócio do papel nessa fase da vida

Aposentadoria também pode ser uma chance de recomeçar, de tirar do papel um antigo sonho de empreender, de se dedicar a um hobby que vira profissão – PIXABAY

Aposentadoria. Essa palavra pode ser um alívio para alguns e um verdadeiro tormento para outros. Afinal, o que fazer após anos de trabalho quando ainda se sente saudável, ativo e cheio de vida pela frente? De fato, a aposentadoria significa um merecido descanso para aqueles que passaram a vida inteira se dedicando a uma atividade profissional e não veem a hora de ter tempo para a família. Mas também pode ser uma chance de recomeçar, de tirar do papel um antigo sonho de empreender, de se dedicar a um hobby que vira profissão.

No Brasil, a idade média de concessão da aposentadoria por tempo de contribuição é de 55,6 anos para homens e 52,8 anos para mulheres. Em contrapartida, a expectativa de vida é de 79 anos para homens e 84 para mulheres. Aí vem a pergunta: o que fazer para manter-se ativo após se aposentar? Ou como se reinventar num momento em que muitos estão desacelerando?

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Para as irmãs Germana Carvalheira e Rosa Monte a chegada dos netos despertou o desejo de empreender numa atividade que sempre gostaram. Germana é Fonoaudióloga de formação e sempre teve uma rotina agitada. Atuou por mais de 20 anos em clínica com tratamento de crianças com transtornos motores e de comportamento, além de trabalhar na AACD e lecionar nos cursos de graduação e pós-graduação da UFPE e da Faculdade de Olinda. Isso, sem esquecer as demandas do marido e dos 4 filhos.

Rosa é Arquiteta de formação, teve escritório e tinha a rotina corrida de atender clientes, visitar parceiros e se debruçar nos projetos. Estava afastada da arquitetura se dedicando a família, mas o desejo de empreender sempre esteve presente em sua vida.

As duas sempre foram apaixonadas por crianças e não viam a hora de ser avós para se dedicar e aproveitar cada momento dos netos. Foi aí que, há 4 anos, surgiu a Casa 3 Ateliê, especializada em enxoval de bebês, lembrancinhas de maternidade, aniversário, batizado e outros mimos feitos com capricho e muito amor para os pequenos. “Não me arrependo um só minuto de ter abandonado a fonoaudiologia, por que assim como me dediquei a essa profissão tão maravilhosa cuidando com tanto carinho dos meus pacientes, hoje recebo nossas clientes com todo cuidado, atenção e dedicação que eles merecem”, diz Germana.

Para Rosa, a Casa 3 Ateliê é a concretização de um sonho e a possibilidade de profissionalizar o que ama: a arte, a criatividade e os netos. “A maturidade, juntamente com o aprimoramento acadêmico, especialização em ergonomia e mestrado em engenharia de produção, me incentivaram ainda mais a investir no meu próprio negócio”, destaca Rosa.

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Idealmente, essa transição entre a atividade profissional desenvolvida ao longo da vida e a estruturação de um novo negócio deve ser feita de maneira cautelosa e com baixo risco. Se possível, começar com algo que não precise de altos investimentos e de maneira orgânica como fizeram Germana e Rosa. As irmãs começaram aos poucos, fazendo o enxoval dos netos, aceitando encomendas das amigas e divulgando o negócio no boca a boca. Assim, os riscos e a possibilidade de ter uma dor de cabeça nessa altura da vida são mais baixos.

Mas como destacou Rosa, investir em conhecimento é essencial. Sim, é preciso voltar a estudar. Por mais que a vida profissional tenha trazido muita experiência, é interessante ter uma orientação para lidar com as mudanças, atualizar-se com novas tecnologias, novas técnicas e comportamentos. Assim, o negócio já nasce antenado.

Outra dica interessante é ter um trabalho flexível. Depois de passar anos com compromissos formais, horários rígidos e rotina atribulada, esse novo ciclo deve ser rentável, mas, principalmente, prazeroso. Aliar trabalho com qualidade de vida é o caminho para o sucesso do negócio.

Se você tem vontade de empreender, mas ainda tem receio, planeje-se. Procure ajuda de especialistas, converse com colegas, amadureça a ideia e coloque tudo no papel. Isso vai te dar ideias e te motivar a correr esse risco. Esse frio na barriga é bom e faz parte da vida.

Trabalhar após os 50 anos é benéfico por vários fatores, como para continuar praticando o exercício do cérebro, praticando habilidades cognitivas e motoras e elevar a autoestima, fundamentais para combater transtornos de humor, depressão e outras doenças.

Se você tem esse desejo, vá em frente! Não deixe essa oportunidade passar e muito sucesso!!

Conteúdo postado originalmente na Coluna Carreiras e Mercado de Trabalho, de Felippe Pessoa, no site do Jornal do Commercio.

Autor: Felippe Pesoa

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