29 de março de 2021

Bem-estar no trabalho. É possível promover um ambiente voltado para as pessoas?

Essa semana, a Universidade de Leeds, na Inglaterra, em parceria com universidades australianas, divulgou o resultado de uma pesquisa que mostra que a instabilidade no ambiente de trabalho pode causar danos psicológicos aos funcionários, além de mudanças negativas de personalidade. A pesquisa define como instabilidade o estresse constante, as ameaças de demissão e os ambientes de trabalho sistematicamente tensos.

Temos presenciado uma movimentação maior das empresas em se estruturar e buscar alternativas para melhorar o ambiente de seus funcionários

“Temos presenciado uma movimentação maior das empresas em se estruturar e buscar alternativas para melhorar o bem-estar de seus funcionários”

Naturalmente, o estresse faz parte de qualquer ambiente de trabalho. Mas é preciso entender que, viver estressado, com a sensação de estar na “corda bamba” e que pode ser desligado a qualquer momento, são rotinas que só prejudicam a produtividade e levam a desgastes emocionais dentro e fora do trabalho. A mudança é lenta, mas as empresas parecem estar evoluindo e entendendo seus funcionários e suas demandas; a autonomia do profissional, o tempo que ele se dedica ao trabalho e o quão estressante ou desgastante emocionalmente aquela atividade é, passaram a ser ponto de atenção de grandes empresas. E Isso se chama preocupação com o bem-estar de todos. Demorou, mas as empresas estão abrindo os olhos e percebendo que profissionais produtivos e que entregam resultados, são aqueles que se sentem confortáveis e acolhidos pela empresa.

No início dos anos 2000 as empresas de tecnologia iniciaram um modismo que se perdura até hoje, o dos open spaces. Na prática, as empresas se deram conta de que salas fechadas e ambientes muito hierarquizados não geravam engajamento. Foi daí que vieram os ambientes de trabalho abertos, colaborativos, com maior interação entre as pessoas e muita troca de conhecimento. Esse foi um primeiro passo para quebrar a cultura de empresas muito verticalizadas, com níveis hierárquicos rígidos e a cultura do medo do chefe. Esses, inclusive, passaram a deixar suas portas abertas convidando quem quisesse entrar para trocar ideia e aprender.

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Agora, com a pandemia e as mudanças repentinas que estamos vivendo, muitos profissionais se abriram e mostraram a seus empregadores suas fragilidades e fraquezas. Talvez essa tenha sido a oportunidade de mostrar as empresas que elas precisam cuidar melhor do seu bem mais precioso, as pessoas. Essa consciência pode ser comum em algumas empresas, especialmente aquelas que dependem diretamente do capital intelectual para ter receita, como consultorias, escritórios de advocacia e agências de publicidade. Mas, por incrível que pareça, essa realidade não é tão clara para alguns setores como indústria e varejo, que podem ver nas máquinas e equipamentos ou nas mercadorias e produtos seus maiores patrimônios. 

Por isso, temos presenciado uma movimentação maior das empresas em se estruturar e buscar alternativas para melhorar o bem-estar de seus funcionários. Estes, claramente, estão demonstrando sua inquietude nos processos seletivos. Uma pesquisa divulgada recentemente pela consultoria de recrutamento de profissionais, Robert Half, mostrou que, em cinco anos, as políticas de benefícios relacionados a qualidade de vida serão os fatores mais valorizados pelos profissionais numa mudança de empresa; 55% dos entrevistados opinaram que esse sim será o grande diferencial numa mudança de emprego, deixando para trás salário ou cargo. Além disso, 53% dos entrevistados disseram já ter trocado de emprego por conta do desequilíbrio entre vida profissional e pessoal. E, para 49% dos entrevistados, essa relação é extremamente importante.

Mas o que fazer para promover um ambiente de trabalho salutar e colaborativo? Aqui vão algumas dicas:

Tenha um ambiente de trabalho adequado

Esse talvez seja o item mais básico para que seus funcionários trabalhem bem. Ter um ambiente confortável, iluminado, com boa temperatura e bons equipamentos parece frugal, mas muitas empresas ainda não têm essa preocupação.

Uma vez que o ambiente atende as necessidades dos funcionários, a produtividade – e os resultados – melhoram.

Feito isso, por que não dar um passo a mais? Um ambiente de socialização, uma sala de descompressão, lanches e um pouco mais de conforto são sempre bem-vindos.

Ofereça horários flexíveis

Jornadas de trabalho mais flexíveis. Esse é um ponto que fomos obrigados a implantar em nossas vidas. Os funcionários, geralmente, gostam de ter maior liberdade e serem medidos por sus entregas e não pelo tempo que ficam dentro da empresa.

Obviamente, as organizações precisam implantar um modelo de trabalho remoto que funcione e que não dê margem para fugas do trabalho e das responsabilidades. Avaliar os funcionários de maneira meritocrática – e por resultados gerados a companhia – pode ser um caminho interessante.

Cuide do clima organizacional

Propósito. Os funcionários gostam de estar inseridos nos propósitos das empresas em que trabalham e ter um objetivo comum ao da empresa.

Para isso, é importante que a cultura seja difundida e que todos participem. Uma pesquisa de clima periódica vai mostrar quem está inserido nessa cultura, quais os pontos fortes e onde a empresa precisa melhorar para engajar seu time. 

Empresas que escutam seus funcionários criam um ambiente de trabalho mais participativo e melhor para todos.

Conteúdo postado originalmente na Coluna Carreiras e Mercado de Trabalho, de Felippe Pessoa, no site do Jornal do Commercio.

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