23 de agosto de 2021

Aceitar redução salarial para voltar ao mercado de trabalho é interessante para minha carreira?

Já não é segredo para ninguém que a pandemia fez o número de demissões explodir. Era inevitável; com a economia parando, o desemprego subiu e chegou a níveis recordes. Hoje, são 14 milhões de desempregados no país. E, com isso, as empresas, que também enfrentam dificuldades para sobreviver, buscam profissionais que tenham flexibilidade na hora de negociar a remuneração. E os profissionais têm preferido se recolocar a manter o patamar salarial.

Uma pessoa segura uma carteria de trabalho enquanto registral alteração salarial

Segundo uma pesquisa realizada com 935 profissionais desempregados pela consultoria de RH Luandre, 90% aceitariam uma oportunidade com salário inferior ao que pretendiam. E, 85% deles, disseram aceitar um cargo inferior ao que tinham, para voltar ao mercado de trabalho. Já entre aqueles que não aceitariam a redução do cargo, 68% aceitariam flexibilizar a remuneração. A pesquisa reflete a realidade de um mercado duro, onde faltam empregos e sobram bons profissionais. Naturalmente, essa é uma boa oportunidade para que as empresas atraiam talentos por um custo menor. Mas essa manobra tem um preço. Se a mudança for muito abrupta, com uma grande redução salarial, o profissional continuará buscando novas oportunidades e tende a deixar a empresa no curto prazo. Por isso, os empregadores devem ficar sempre atentos e não exagerar nas reduções salariais. O negócio tem que ser bom para ambos.

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Numa contratação que envolve redução salarial o que está em jogo é a perspectiva, o horizonte de oportunidades que o profissional terá pela frente. É muito comum ver profissionais aceitarem propostas mais baixas com a expectativa de crescimento. Sendo assim, alguns fatores devem ser avaliados não só pelo profissional, mas pela empresa também:

Compensação total

Ao analisar uma proposta, é importante entender todos os benefícios e remunerações variáveis. É comum empresas contratarem por um salário fixo mensal mais baixo e oferecer variáveis baseados em resultados que podem compensar. Além disso, benefícios como plano de saúde, vale refeição, combustível e previdência privada podem fazer a diferença.

O bem-estar também deve ser colocado na conta. Apesar de intangível, ele faz a diferença na qualidade de vida do profissional. Muitas vezes, uma oportunidade com salário menor é compensada pela flexibilidade de horário, pelo local de trabalho perto de casa e por programas de home office, por exemplo.

Crescimento profissional

Ganhar bem é muito bom, mas e o próximo passo? Muitas empresas oferecem remuneração interessante, mas não deixam claro o plano de carreira. Nesse caso, vale a massima: é melhor dar dois passos pra trás pra dar um pra frente. Apesar de ter uma remuneração inicial abaixo do esperado, é importante entender na entrevista as perspectivas de crescimento. Desta forma, é possível se programar, se dedicar e chegar mais longe.

Ambiente de trabalho

Nenhum salário extraordinário é capaz de compensar um ambiente de trabalho ruim. Sendo assim, pesquisar sobre a cultura da empresa, o estilo de gestão do chefe imediato e entender a dinâmica da equipe são tão importantes quanto colocar o pacote salarial na ponta do lápis.

Mas, o que vemos na prática é a necessidade falando mais alto. Grande parte dos brasileiros não tem reservas financeiras e aceitar a primeira oportunidade que aparece é a única opção. Para as empresas, a dinâmica não é muito diferente; quando o mercado entra em crise, a tendência é reduzir custos. E uma das primeiras alternativas é diminuir a folha de pagamento. Sacrificar a qualidade de vida por conta de um salário menor não é fácil, mas é o jeito. Renunciar ao passeio de final de semana, aos restaurantes e as viagens não é agradável para ninguém, mas é passageiro. Profissionais que se dedicam, estudam e se mostram comprometido conseguem driblar a crise com mais facilidade de rapidez.

Em momentos como esses, a palavra-chave deve ser flexibilidade. Se adaptar a realidade do mercado é a saída para se manter ativo. Uma coisa é certa: é melhor um passarinho na mão do que dois voando; mesmo com uma remuneração aquém da sua capacidade, é melhor estar na ativa do que desempregado. Em casa, novos oportunidades não surgiram. Trabalhando, você está na vitrine e boas novas podem surgir. E saiba: aos olhos dos recrutadores, quem está trabalhando sai na frente!

Conteúdo postado originalmente na Coluna Carreiras e Mercado de Trabalho, de Felippe Pessoa no site do Jornal do Commercio.

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