20 de setembro de 2021

Virei gestor, e agora? Quais os desafios e as armadilhas enfrentadas por quem começa na gestão.

Na escalada profissional, o primeiro cargo de gestão é uma conquista e tanto. Depois de anos trabalhando e mostrando que conhece suas atividades tecnicamente, é chegada a hora de assumir um time e responder não só pelos seus resultados, mas de todos da área. Semana passada, aqui na coluna, falamos sobre o que fazer para chegar ao tão sonhado cargo de gestão. Hoje, vamos entender melhor os desafios e as armadilhas que os gestores de primeira viagem encontram no caminho.

Dois homens apertam as mãos em um escritório de gestão.

Promover um funcionário ao cargo de gestor não é uma decisão fácil. Muitas vezes, a empresa acaba trocando um excelente técnico por um péssimo gestor. Por isso, entender se o subordinado está pronto e se tem o perfil para assumir uma equipe ou uma área na empresa é uma decisão difícil e estratégica. Mas, tomada a decisão, é preciso que o superior dê suporte ao novato no cargo, especialmente nos primeiros meses, enquanto ele se adapta. Esse, inclusive, já pode ser considerado um desafio; a maioria das empresas não treina ou suporta os gestores de maneira adequada. Muitas delas acaba focando seus esforços em desenvolver trainees e altos executivos e não percebem que são os gestores de média gestão, junto a seus times, que disseminam a cultura e fazem a empresa girar.

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Para os novos gestores, é importante entender que os primeiros 90 dias servem para se acomodar no cargo e entender o que o superior espera de você. Muitas vezes, por já estarem trabalhando na área e conhecer a rotina, os novatos acabam seguindo suas atividades normais, sem se preocupar com a expectativa da empresa em relação a sua gestão. Por isso, busque informações, pergunte de maneira clara o que precisa fazer para ter sucesso e arregace as mangas. Esse é só o primeiro desafio do gestor de primeira viagem, mas existem outros:

Conhecer e desenvolver o time

Para os que são promovidos na própria empresa, esse desafio é mais fácil, afinal, o gestor assume um time de ex pares. Quando a gestão é numa nova empresa, o cenário é outro.

No primeiro caso, você não precisa deixar de ser amigo dos seus colegas. É necessário fazer com que eles tenham respeito a hierarquia e entendam que, a partir daquele momento, os papéis mudam.

Para os gestores que estão chegando na empresa, a dica é manter um diálogo com os funcionários e entender a situação de cada um no grupo. Esse interesse inicial mostra que você se preocupa e quer ajudar no desenvolvimento de todos.

Ter clareza sobre suas responsabilidades

De antemão é preciso saber o que a empresa espera de você como gestor e traçar um plano de ação para atingir os objetivos. A partir de agora, a preocupação é com a produção do time e não mais de suas próprias entregas.

Por isso, a qualidade do seu trabalho importa menos do que a sua capacidade de desenvolver os outros. Ter uma visão holística e entender como cada um da equipe pode contribuir com a entrega é um desafio estratégico de um bom gestor.

Mostrar seu estilo de gestão

O gestor é o piloto da área; a equipe espera que ele trace a rota e oriente o que deve ser feito para atingir os resultados. Para isso, é necessário mostrar a nova regra do novo e criar uma relação da confiança entre gestor e subordinado.

Deixe claro que a gestão passada é página virada e coloque a equipe na mesma página que você.

Humildade

Por fim, mas não menos importante, não deixe a promoção subir a cabeça. Seja humilde e saiba que seus antigos pares são seus aliados e, sem eles, você não teria chegado lá.

Uma boa gestão é feita com espírito de equipe, onde todos colaboram com o gestor que lidera e reconhece as conquistas.

É sempre bom destacar que a promoção ao cargo de gestão é apenas o começo de uma longa história; esse degrau é importante, mas é como voltar a estaca zero em diversos aprendizados. Por isso, cuidado com as armadilhas: permanecer fazendo as tarefas de sempre e não virar a chave para o que realmente importa, achar que sabe tudo quando, na verdade, tem muita coisa para aprender, tentar mostrar serviço e submeter a equipe a um desgaste inicial desnecessário e, principalmente, ser paternal demais. Lembre-se: ser simpático e educado com a equipe é uma coisa, ser permissivo é outra. Por isso, encontre a medida certa e boa sorte!

Conteúdo postado originalmente na Coluna Carreiras e Mercado de Trabalho, de Felippe Pessoa no site do Jornal do Commercio.

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