Bruna Faria, executiva da Coca Cola, aposta na diversidade e na busca pelo amplo conhecimento como ferramentas indispensáveis para o crescimento profissional

​A vida profissional da pernambucana Bruna Faria, 41 anos, é mais uma daquelas histórias de sucesso que sai completamente do roteiro, ou melhor, que sai do roteiro planejado pelos outros. Porque no que dependeu dela, pode-se dizer que sim, ela sabia que daria certo, muito certo diga-se de passagem! A “receita de bolo” que não existe, mas o que carregou dentro dela foi a certeza de que iria vencer e que sempre acreditou no seu propósito. E segue provando que acredita no seu potencial é a ousado meta, ou nas palavras dela “visão”, de praticamente dobrar a gestão de receita, saindo da marca de U$ 600 milhões para 1 bilhão – as cifras são essas mesmas – no negócio que comanda entre a Coca Cola e o McDonalds (toda a relação comercial entre as duas empresas) para a América Latina e México. E para tal obejtivo podem esperar uma Coca Cola com um portfólio ainda maior para 2026 e com expansão de canais de venda.

​A história de Bruna começa no curso de Administração na UPE, depois dois mestrados com 25 anos e um emprego na Coca Cola, em Pernambuco. Ai é que Bruna toma as rédeas do seu roteiro profissional. Confessa que logo no início ouviu a frase “mulher e nordestina: sabe quando você vai ser uma grande executiva? Nunca”. Talvez a frase fosse a “cereja do bolo” que deixa o enredo mais atrativo. Vinte anos depois, Bruna é uma executiva de uma das maiores e longevas companhia do mundo.

No Audens Entrevista vamos bater um papo sobre mentoria, visão, negócios, carreira e família, porque assim como o sucesso profissional ela celebra a maternidade dupla de Leonardo e Maria Luiza e o casamento com Henrique.

Com sua vasta experiência profissional o que você mais ensina sobre o mundo coorporativo, falando principalmente para quem está deixando a graduação e entrando no mercado de trabalho?

Muitas vezes, o que o mundo prático ensina é justamente a fazer acontecer. Então quando a gente está na academia, a gente pensa muito na teoria das coisas e numa empresa, o que é importante é o resultado que isso sugere. O que vale é fazer acontecer na prática. Essa parte mais objetiva eu sempre pensei nisso na minha carreira e oriento muito os jovens ou até mesmo quem está em transição de carreira, que busque ampliar seus horizontes, a formação técnica é importante, mas formação prática, que vai te levar para o mundo real. O que eu aprendi nestes anos é que não existe uma bala de prata, mas um conjunto de ações e de pessoas. 

Hoje se fala muito que geração é uma geração ansiosa e que não espera os processos, que muitas vezes já quer estar no topo. Como trabalhar essa questão geracional?

Eu penso bastante nisso. Essa geração Z que é ansiosa. Ela quer tudo muito imediato. Imediatismo extremo. O que eu sempre converso é que como eles fazem muitas empresas junior na universidade e lá ocupam “cargos de diretor” aí quando eles chegam numa empresa real isso não vai acontecer dessa forma. Não vai ser diretor de cara. Aspectos profissionais que você desenvolve com a tua experiência é que te levam às grandes posições. Por isso que experiencia de vida é tão importante. O que tu desenvolve com ela. Ouvir e ter um mentor, alguém que possa te dar referência é uma excelente opção. Vou dar um exemplo de troca: o jovem que é nativo digital é claro que ele talvez conheça mais de tecnologia do que eu, mas a minha experiência e a vivência importam muito e a gente precisa se ancorar nesse pilar.

Como você avalia a tomada de decisões das grandes coorporações  sobre a questão do encontro de gerações?

Primeiro ponto, falando da empresa que eu trabalho é um dos pilares da cultura da Coca Cola. A diversidade passa por uma diversidade de pensamento. A diversidade de pensamentopassa por alguns aspectos: de formação, outro de gênero entre homens e mulheres que pensam diferente por uma questão de neurociência porque têm cérebros que funcionam de forma diferente. A questão geracional realmente é importante porque essa geração pensa diferente mesmo e precisamos aceitar isso, mas também é importante que essa geração entenda que ela precisa desenvolver um negócio chamado resiliência.  Ter essa capacidade de ter dificuldades e enfrentar. Esse público, os jovens acham que eles são imparáveis e não são. Em algum momento a conta chega e essa maturidade é algo necessário pra gente ir orientando esses jovens.

Na Coca Cola como vocês administram e preparam esses jovens profisionais?

Temos programas diferentes e escalonados. Primeiro é o programa de treinee e desenvolvimento de jovens talentos/estagiários. Segundo vem os programas de mentoria que na Coca você tem direito a ter um mentor; e terceiro tem a mentoria reversa, uma pessoa mais antiga ter uma conversa com um jovem e que vai de certa forma rebater a minha forma de pensamento. Já me chamaram de dinossauro porque estou lá na Coca há mais de 20 anos. Éverdade, afinal eu sou uma pessoa mais experiente, mas isso não quer dizer que eu não possa ter um insigth com essa mentoria reversa. O jovem pode me mostra novos caminhos. Importante ter os dois lados da moeda.

A gente sabe que não existe uma receita pronta, mas alguns caminhos a seguir seja quando se está montando um negócio, quando se está liderando uma equipe. Falando nesses caminhos, com a sua experiência, o que você sugere e fala nas suas palestras?

A primeira resposta é:  tem que ter diversidade. Seja de gênero, de geração ou pensamento. Se eu tiver conduzindo meu negócio muito por um caminho, posso perder uma oportunidade ou errar mesmo. Agora, a partir do momento em que você tem um grupo mais diverso,jovem, geração Z – inclusive a gente está fazendo na Coca um grupo de etarismo. Isso significa que eu preciso de gente mais velha. Então é assim eu tenho 55 anos e acabou meu tempo util de empresa? Eu não acredito nisso, mas o mercado é bem assim, então é importante a gente pensar de forma ampla.

Uma empresa como a Coca Cola falando de etarismo, Isso é exemplo para o mundo? 

A gente fala bastante pra fora. Inclusive a Coca Cola tem um trabalho fortíssimo. Trabalho 

de formação, principalmente da construção de visão de diversidade e impacto social. A Coca cola tem um trabalho de como a gente conversa sobre a empresa, os valores, sobre o propósito que é Refrescar o mundo e fazer a diferença. Como é que você constroi isso tudo? Refrescar o mundo e fazer a diferença para um jovem? A gente precisa fazer ele entender o que é refrescar o mundo numa empresa de 100 anos.

Qual a sua percepção dos profissionais que te escutam, as questões que eles trazem em palestras como a que você ministrou na Audens?

Eu sempre acreditei, e inclusive tem um estudo que mostra que você aprende mais quanto mais você ensina e você fala. Desde jovem comecei a dar aula e isso consolida sua posição. E outra coisa, estou hoje em uma posição que fico muito fora do Brasil, do Nordeste. Estou há 15 anos longe. Mas você precisa entender o que está acontcendo na ponta. Hoje eu tenho uma visão muito estratégica. Eu sou GM de um negócio grande. Então aqui nesse encontro na Audens percebo que tem muita coisa bacana acontecendo que talvez a gente não esteja vendo. Eu sempre achei que você está fora, mas vendo o que está acontecendo, antenado com o que tá acontecendo te soma muito. E é o caso de eu vir aqui porque eu acho que vale a pensa somar neste sentido.

Qual a tua principal orientação ou conselho mesmo para quem quer prosperar, crescer seja como empreendedor ou como executivo?

Uma coisa que eu falo muito: acredite em você. Me lembro que quando comecei a trabalhar echegaram pra mim e disseram “pra você não dá. Você é mulher e do nordeste”. Ai eu falei obrigada pelo seu conselho. Mas é uma questão de opção de acreditar em você. Muitas vezes eu falo para o meu time, para algum mentorado ‘eu acredito mais em você do que você mesmo, então cara você precisa acreditar em você’. Todo mundo tem dúvidas, tem crise, será que eu sou bom o suficiente? Ninguém é perfeito, mas se a gente não for em direção a acreditar e for rompendo as barreiras não cresce. Eu tive uma mulher – a única mulher chefe que eu tive na vida, já me dizia que onde passa boi passa a boiada. Então se você quer fazer a diferença, se você quer ser uma mulher do Nordeste que quer fazer a diferença no mundo e não apenas no Nordeste, tem que ter coragem, acreditar e seguir.

E nesse processo de construção de carreira qual caminho a seguir nessa formação? 

Eu sempre fui ligada a área universitária tanto que aos 25 anos eu tinha dois mestrados. Mas fora da academia eu recomendo cursos com aulas mais práticas, algo mais curto, menos aqueles conceito de curso de dois anos e mais um conceito de um curso que possa te dar ferramentas pra fazer o negócio. Então eu pensaria cursos de encontro como o feito aqui na Audens, que abre espaço pra ouvir experiências e o “aluno” entender por exemplo que precisa fazer um curso mais voltado pra necessidade dele. Tem que ser algo que ele use. Tem que ser aplicável, com profissionais que tenha experiência a partilhar.

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